27 de jan. de 2010

Crônica- A menina e o destino.


Estava cavalgando em meu belo cavalo branco, pela estrada do Rio Doce, quando apareceu um carro vindo em minha direção, em alta velocidade e buzinando. Dizem que quando estamos prestes a morrer, vemos nossa vida inteira passar diante dos olhos e, portanto, foi isso que me aconteceu.
Nasci numa cidadezinha no interior do Paraná, chamada Caloré do Sul, e cresci na fazenda de meu avô paterno Joaquim. Quando criança, era travessa, adorava vestir-me de vaqueira e montar no cavalo do meu avô.
Fui crescendo, e todos ao meu redor diziam: "Essa menina nasceu para ser peão". Não me conformava com essa ideia, mesmo sabendo que, no fundo, meu destino era tal. Tentei por muitas vezes sair de lá, mas me avô estava velho, e eu tinha que ajudá-lo, pois devia tudo a ele.
Quando completei 23 anos, ele faleceu, e, então, herdei a fazenda. Meu primeiro instinto foi vendê-la, porém deixei que o destino vencesse. Então resolvi sair com meu cavalo para "afogar as mágoas". Foi quando...
O carro não conseguiu parar, atingiu-nos em cheio e, de certa forma, fiquei feliz, pois tudo havia acabado. Foi assim que eu, Leona Zaesel, morri. Sendo assim, venci o destino, e como recompensa, tornei-me o senhora dele.

Nenhum comentário: